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Fado da Internet

Letra: Daniel Gouveia

Música: Daniel Gouveia (Marcha do Daniel Gouveia)

Guitarra: José Luís Nobre Costa   Viola: Francisco Gonçalves   Viola Baixo: Joel Pina

(CD Com Tradição, Faixa 6, Movieplay, Lisboa, 2000.)

 

FADO DA INERNET

O Fado p'ra ser castiço
não é, por isso,
antiquado.
Deve, até, ser "p'ra frentex"
e assim "é-que-se"
trata hoje o Fado.
Graças ao computador,
p´ra se compor
com grande afã,
digita-se um teclado |
e o resultado | bis
vê-se no écran. |

Pode-se falar de tascas,
rameiras rascas,
vida indecente,
mas não se vai à taberna
e quem alterna
é a corrente.
Pode o faia ser gingão,
falar calão,
andar à crava;
pode a fadista usar xaile, |
mas é num file | bis
que isto se grava. |

Para que a gralha se evite,
faz-se um delete
e, a seguir,
se a memória já não vive,
faz-se retrieve
no mesmo dir.
Enter que estás a agradar.
Convém salvar,
se a coisa interessa.
Mal a letra se define, |
com print screen | bis
sai logo impressa. |

Com o título ninguém teime:
faz-se rename,
nem se discute.
E, se a CPU pendura,
tudo tem cura,
basta um reboot.
Guitarras virtualizadas,
vozes filtradas,
por fios eléctricos,
o Fado activa circuitos |
e os seus intuitos | bis
são cibernéticos. |

Já não se escreve em toalha
a boa malha
que vem à mente.
Esse bom tempo findou-se,
agora é windows
o ambiente.
O Fado é feito com bits
em micro-chips
mora em disquette,
mas não deixa de ser Fado. |
Está paginado | bis
na Internet. |