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Fado do Regresso (RTP - Série «A Guerra»)

Excerto de «A Guerra», de Joaquim Furtado, RTP, 2.º Série, 14.º episódio, 2009.

 

Letra: Daniel Gouveia. Música: Júio Proença (Fado Esmeraldinha)

Guitarra: Manuel Domingos. Viola: António Queiroz

 

Letra completa (a RTP omitiu a 2.ª estrofe):

 

Três batalhões[1] de gente… Tantos corpos!

Tanta carne embarcada num navio!

Tantos sonhos sonhados, adiados

num cais que amanhã estará vazio.

 

Três batalhões de gente na amurada.

Um barco a adernar de mágoa e fé.

Tanto adeus já saudade desesperada,

pingada sobre as tábuas do convés.

 

Três batalhões de gente separada,

espalhada por matas e capim.

Tanta poça vermelha semeada...

Tanto sonho que já não chega ao fim.

 

Mas há sonhos sonhados acordado.

Coisas que os batalhões nunca sentiram             

senão ao ver um dia, da amurada,

esta encostar-se ao cais donde partiram.


[1] Três batalhões operacionais (800 homens) era quanto levava cada navio de transporte de tropas que largava de Lisboa para Angola, Guiné ou Moçambique, de 1961 a 1974.